Eu já sei fazer sozinha

Foi lá no Rio Grande do Norte, em Natal. O médico já havia dito fazia um mês que eu poderia estar sentindo alguma coisa, mas ainda nada. Eu a compreendo, ela de certo queria que fosse especial e já deve ter percebido que eu não sou nada fã desse inverno paranaense. Então ela esperou eu ir viajar para Natal, meu primeiro nordeste, em férias fora de época com minha mãe para aproveitar um passeio enquanto não tenho que correr atrás de dois pézinhos gordos que estão por vir.

Eu tinha passado a manhã toda na praia e voltei para o hotel com o enorme sono que ela me faz sentir. Antes de decidir dormir coloquei Alceu Valença para tocar, coisa que faço corriqueiramente no Paraná, mas convenhamos, depois de um banho de mar no nordeste fazia muito mais sentido. Desliguei a música e – depois de pedir mil desculpas para minha mãe, por não poder acompanhá-la no almoço – deitei na cama sem habilidade alguma, já que ainda estou me adaptando a esse novo corpo, e acabei de bruços. Eu ia virar, mas a preguiça e, claro, a vontade de dormir de bruços (já que é como dormi a vida toda) eram tantas que acabei ficando um tempo ali, quietinha e de bruços. E aí ela chutou.

Foi um chute de quem pensou que aquele era o momento certo, ou de quem queria dizer “mãe, você está me esmagando, levanta!” e a opção c é de que foi só um chute, um esbarro de alguém que estava tentando ficar mais confortável nesse apertado útero que não permite que ela se espreguice direito. Mas o fato é que a Rita chutou. Não eu, a Rita. Não minha barriga, a Rita. Foi a Rita.

Aquele chute declarou a existência de um ser vivo, inteiro. Minha filha, Rita, que embora ainda esteja dentro de mim, já é independente o bastante para chutar as paredes do meu útero sozinha. Ela deixou de ser uma extensão do meu corpo, saiu do mero campo visual da minha barriga. Agora somos nós duas.

Esse blog não é só sobre a gravidez. É sobre mim, sobre a Rita, sobre nós, o mundo que nos cerca e a nossa vida juntas.

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18 pensamentos sobre “Eu já sei fazer sozinha

  1. Que coisa mais linda! Espero ver aqui as primeiras palavrinhas que a rita escrever, ou melhor, digitar, rs. Vida longa ao blog! Vida longa a vocês! =D

  2. Oi Rita! Obrigada pela visita e boa sorte com o blog!
    Lindo o seu relato. Acho que quando o nosso neném der sinalzinho de vida vamos nos sentir desse jeito: meio independentes.
    E Natal é lindo mesmo. Fomos para lá na lua de mel. Ai que saudade do sol!
    Minha mãe falou que quando estava esperando meu irmão, tinha um lado que ela não podia dormir, senão ele ficava se mexendo pra caramba. Segundo ela, é porque o neném ficava sem ar. Se é verdade, não sei. Mas que surpreende, surpreende!

  3. E foi uma momento lindo, entre uma palavra e outra sobre internet durante a aula, eu perceber que tinha alguém ao meu lado ninando a própria barriga. Com um sorriso que eu jamais poderia distinguir. “O que foi, Paula?”. “Ela está soluçando!”. E voltando para casa balbuciei algumas palavras, entre o sono e aquele momento. “A gravidez é realmente maravilhosa, né mãe?”.

  4. Que linda a Rita já deixando a mamãe coruja babando e, claro, os titios aqui com cara de bobos. Quero só ver essa coisinha correndo por entre os jornalistas que, esquecendo de prestar atenção na aula, irão ficar mimando ela a todo momento ….kkk …. Quem é que não se encanta com uma coisa dessas? A maravilha da vida que, ao despertar seus primeiros gestos de existencia, desperta também o motivo de tudo para a mamãe do ano. Muitas felicidades para vc e a Rita, Paula. E que ela seja uma jornalistinha! kkk

  5. Olha o tanto de tios corujas que já querem saber tudo o que acontece com a Rita!!! *-*

    Adorei a ideia do blog. Agora quando a Aida ou o Clóvis perguntarem qual a minha rotina na internet, vou dizer que todos os dias passo aqui. É lindo olhar pra vc e ver que irradia luz. Você já é uma excelente mamãe e a Rita tem muita sorte!!!

  6. Ai Paula wy so LINDA??? Me emocionei viu e tenho certeza que esse sentimento ai é só o começo da vida linda que vocês duas vão trilhar juntas <3

  7. Que história mais linda, e quantas histórias mais irão aparecer. Me orgulho de você e já me orgulho dessa linda que está em seu ventre *—*
    <3

  8. O primeiro chute… a gente nunca esquece. :)

    Olavo, meu filhote amado, foi um pouco mais adiantado que a pequena e preciosa xará, Rita. Já que foi no 4º mês que o senti pela primeira vez.

    E… pode esperar Paula… que as emoções serão permanentes, pois como diz uma amiga minha, “ao termos um filho, o nosso coração não está mais nós mas, no mundo afora”.

    Que a graça, paz e sabedoria de Deus, a conduza neste ministério e mistério maravilhoso do SER MÃE.

    Que a saúde seja transbordante, assim… como o amor.

    Bjsss

  9. AI QUE INVEJA! MORRI!
    Queri ser mãe, quero uma menina, e quero ir para Natal! HAHAHA
    Fiquei emocionada, não somente por como você está escrevendo bem, mas ainda pelo relato!

    E VIVA A RITA!
    Beijos da titia Aline e do tio Gui.

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