Breast is Best – Parte II

Amamentação e Empoderamento Feminino

A lactação foi uma grande surpresa para mim. Claro que eu já conhecia o básico da história, mas tinha uma visão muito superficial e simplista da coisa. O bebê nasce, a gente amamenta e é isso aí. E talvez para muita gente seja assim mesmo, mas para mim não foi.

Eu fico tentando buscar outra palavra para definir amamentação, mas até hoje nenhuma coube melhor do que essa: Poder. Amamentar faz com que eu me sinta absolutamente poderosa, como nunca me senti na vida. É um dos sentimentos mais fortes, agressivos, absolutos que já senti.

A lactação nos leva a um estágio muito primário e selvagem da nossa existência. Afinal a gente é sempre tão cercado por regras e compreensões humanas que chega a ser assustador percebermos que, no final das contas, não importa o que a gente faça, ainda somos mamíferos. Minha filha caçando o peito me lembrou muito os cachorrinhos que tantas vezes vi nesse processo de amamentação.

A questão que mais me deixou fascinada foi essa sensação de ser primordial. Fonte de vida no sentido mais visceral possível. E pode chamar de arrogante o quanto quiser, mas eu me sinto na base, no princípio de tudo. Afinal, tudo o que existe por mãos de homem ou mulher qualquer, teve uma mãe amamentando por trás (costumo dizer que inclusive o leite industrializado só existe porque alguém amamentou uma criança que cresceu e o inventou). A lactação me trouxe essa sensação de ser provedora, criadora.

É muito forte pensar essa capacidade materna de produzir o alimento do próprio filho. Uma mãe que amamenta está inconscientemente negando a posição de frágil, vulnerável e dependente que é imposta a mulher por uma sociedade machista. Somos tão grandes que não precisamos dessa indústria terceirizada e masculina para alimentar nossos filhos. Somos capazes de fazer sozinhas.

O ato de amamentar é expressão do poder materno e acho que, talvez por isso, a sociedade reaja de forma assustada a questão. Não é apenas a superotização e o controle do corpo feminino. Uma mulher que amamenta em público está lembrando a todos que a imagem de uma mãe não é a de virgem Maria, está muito mais para uma leoa, uma cachorra, uma loba. Alguém que tem em si força e independência grandiosas o bastante para prover sua cria em sua necessidade mais básica e instintiva como animal ser humano.

Propor a industrialização do alimento do bebê é tirar da mulher essa força  que nos é inerente e de direito. Quem propõe que não amamentemos com nosso próprio seio quer nos tirar a vantagem de estar além de qualquer possibilidade material de produção já inventada. Quer nos enfraquecer.

Eu digo sempre que amamentação é vida. E é. No sentido mais literal e visceral que a palavra “vida” pode ter.

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