O mamá vai, o tetê fica

Aniversário de 1 ano: Da Rita e do mamá.

Eu já escrevi muito aqui sobre peito. Peito e amor, peito e força, peito e vínculo, peito e saúde. Peito é uma coisa fantástica. Inclusive, recentemente li esse post e recomendo-o altamente para todos vocês.

Pois bem, vamos falar sobre o tão temido desmame. Aqui, chegou cedo. Muito mais cedo do que eu esperava. Há um mês atrás, com um ano e cinco meses de idade, Rita parou de mamar. Não cumpriu nem a meta recomendada pela OMS que é de no mínimo dois anos. E como eu havia dito que contaria para vocês quando esse dia chegasse, cá estou eu.

Durante o primeiro ano de vida da Rita eu parei de estudar e trabalhar. Tirei um ano só para ficar com ela e foi a melhor coisa que eu fiz. Por diversos motivos, mas o que quero ressaltar aqui foi o de amamentar, realmente, em livre demanda. Sempre.

Dizem que esse tipo de amamentação só deve durar até os seis meses. Então desculpem se eu fiz errado (porém foda-se), mas durante esse ano todinho não neguei o peito para minha menina nem uma vez. Mesmo já comendo, almoçando, jantando e querendo frutas o tempo inteiro, o peito continuo a ser o principal alimento (e o maior apego) da vida da Rita.

Este ano as coisas mudaram um tanto quanto drasticamente.  Logo no começo voltei a trabalhar o dia todo e estudar a noite. Ela já não podia mamar com a mesma frequencia. Por sorte a apresentação aos alimentos da Rita foi muito boa. Ela come muito bem. Não passou fome, não teve problemas nutricionais e não precisou de nenhum desses suplementos como NAN, Ninho e etc.

Voltando ao peito, ela passou a mamar apenas nos dois horários que estávamos juntas: De manhã e durante a noite. Era muito especial chegar da aula, pegá-la no colo e ver ela mamar e dormir quase que automaticamente. Como quem só está esperando ali, seu conforto, sua fonte de vida para conseguir descansar tranquila.

Mas as coisas foram mudando ainda mais. Ela passou a dormir a noite inteira ou, quando acordava, não pedia mais o peito, queria apenas ficar brincando. Pronto, Rita mamava apenas duas vezes ao dia. Além disso passamos a ficar mais tempo separadas. Eu deixei ela passar alguns finais de semana fora, na casa da avó e viajei outros também. O leite foi secando.

Até que chegou um ponto em que não tinha quase mais nada. Rita colocava a boca no peito, sugava, olhava para mim e ria. Em menos de dois minutinhos já largava, porque realmente não havia o que sugar. Aí entrou minha participação na história: Não estava confortável aquela situação de dar o peito sem leite para uma criança não mamar. Mas eu não queria simplesmente negar. Passei a sugerir opções.

Falei para ela: Mamar não Rita, não tem leite. Deita aqui no tetê, faz carinho. E foi o que ela fez.

Acho que precisei falar umas quatro vezes e nunca mais. Rita realmente devia estar achando trabalhoso sugar e não ver leite. Nunca mais pediu para mamar.

Mas ela e o tetê ainda são parceiros. Ela deita no meu peito, faz carinho e ás vezes puxa a minha blusa e fica sorrindo só olhando para o peito. Sei lá, deve ser nostalgia do que passaram juntos ou felicidade em constatar que, ok, ainda está ali.

Dá saudade? Dá. Em mim e nela.  Mas tô achando interessante a gente ir descobrindo outras formas de nutrir e de demonstrar afeto. O que mais me encantava no peito era isso: Amor pronto. Amor instantâneo, sem erro. Era Rita mamar e a gente entrava em um universo paralelo, produzido pelo contato direto dos nossos corpos, pelo meu corpo alimentando o dela, pelo encontro. Era uma sensação de plenitude (sério, leiam o texto que indiquei no começo).

Agora a gente vai construindo diferente. Precisa de mais abraço, mais beijo, mais cócegas, mais corpo a corpo, mais ela deitada na minha barriga e, sim, com a mão no meu peito. Porque por mais que a amamentação não esteja mais ali, o peito continua sendo simbólico. Continua representando todo amor e nutrição que tivemos no começo, continua sendo uma ligação muito forte entre nós.

E esse laço não precisa secar com o leite.

Sobre a vontade de nutrir

Antes de mais nada gostaria de justificar minha ausência: Fiquei sem computador. Não consegui escrever em lan house nem na casa dos outros e nem no trabalho. Frescuras de Paula, não me julguem.

Pois bem, você provavelmente leu esse título e está imaginando que eu vou falar algo poético sobre o amor ser o alimento da alma e outros mimimis como faço de costume. Mas não. Quero escrever sobre algo que falo há tempos para minhas amigas, a vontade de mudar minha relação com a comida.

Há muito tempo escrevi aqui para vocês sobre a relação que faço entre amor e alimentação. Mas quero explicar que nem sempre fiz essa relação. Na realidade foi a chegada de Rita na minha vida que mudou minha visão sobre os alimentos. Talvez porque o primeiro contato, mais próximo, mais íntimo que tivemos foi a amamentação. Esse ato de nutrição foi realmente a coisa mais íntima que já fiz na minha vida. Foi quando a gente se encontrou uma na outra.

Depois vieram os primeiros alimentos e eu comecei a cozinhar para ela. Para fazer comida sem sal, sem açúcar, com gosto de comida mesmo. Para ensiná-la sobre os alimentos, para cuidar dela por dentro.

Ainda escreverei sobre o fato de ela comer muito

E agora eu tenho cada dia mais entrado nessa de buscar fazer da nossa rotina alimentícia um ritual de nutrição. E eu sou a pior pessoa para falar disso porque:

  • Sou viciada em açúcar
  • Ainda não sei fazer um feijão decente
  • Tenho preguiça de ir à feira

Então porque eu acho aqui que tenho moral para falar em um tema desses? Bom, porque quero mudar tudo isso. Eu tinha o hábito de comer na rua e gastava muito com comida. Não quero mais fazer isso. Eu quero que a gente coma porque precisa comer, quero que a gente escolha o que precisa comer. Quero tirar da nossa vida o açúcar e a quantidade absurda de produtos industrializados que consumimos (convenhamos, quanto do que a gente compra no supermercado é ALIMENTO de verdade?).

Ando cada vez mais com vontade de apresentar para minha filha o que a terra é capaz de dar para ela. De levá-la comigo na feira e nas lojas de produtos naturais. Diminuir a quantidade de produtos de origem animal que entram aqui em casa. E segurá-la no colo enquanto ela me ajuda jogando a comida na panela <3

Particularmente minha relação com a comida é de muita intimidade. Só alimento quem eu amo. E quero alimentar minha filha com o que a ama também, com o que é de fato capaz de nutrir corpo e mente. Sabe, comida que traz em si energia da terra? Eu boto muita fé nessas coisas.

Esse blog é fantástico e tem me ajudado muito nessa missão. As receitas são todas veganas, a moça evita o açúcar, o glúten, enfim, tudo lindo. “Ah Paula, mas você ainda bebe e fuma”. Pois é, mas refrigerante nunca entrou aqui. Cada um escolhe seus venenos né? Particularmente por enquanto eu vou ficar com os que me dão barato hahaha.

Breast is Best – Parte III

Quem me deu o leite é quem vai tirar.

Hoje é o primeiro dia da semana mundial da amamentação, portanto, vou me obrigar a escrever a terceira – e última – parte da sequencia sobre amamentação que tanto procrastinei.

Minha cria já está com sete meses (olha só!) e aí é claro que já começaram a me perguntar “mas ela ainda mama no peito?” “quando você vai parar de amamentar?” e imaginem o choque quando eu respondo: Quando ela quiser parar de mamar.

Acho muito estranho esse conceito de “parar de amamentar”, como assim? Um belo dia você vai simplesmente negar o peito para a sua criança? Sem motivo algum? Claro, é muito diferente quando não se tem leite, quando vai passar um tempo fora, quando não pode em tal horário. Tudo isso é muito normal e acho até que, dependendo da idade, a criança compreende. Não se pode ter tudo. Agora, você está ali, com o peito cheio, o filho pedindo e você simplesmente resolve não dar? Como assim? Por que?

Porque já está muito grande, porque já passou da hora, porque criança grande mamando é feio, porque nessa idade o leite é só uma aguinha com açúcar (oi q?), são muitos os motivos que nos dão para negarmos o peito a nossa cria, soa até algo de extrema necessidade. Mas não é. Muito pelo contrário. Até um ano de idade o leite é o que mais sustenta a criança, o resto dos alimentos é complementar (área na qual minha Rita está indo muito bem, por sinal, come feijão, beterraba, mandioquinha, banana, maçã… mas isso é assunto para outro texto).

Particularmente, entendo que o leite do meu peito não é meu. Eu não o tinha. Minha filha, ao nascer, foi quem trouxe ele. Ela emprestou para o meu corpo o alimento que é, por direito, dela. Então que razão eu tenho de em dado momento simplesmente resolver que vou pegar para mim? Que não vou mais devolver? Quem trouxe o mamá foi ela e só ela pode mandá-lo embora.

E é claro que a nossa vida não se resume a dar peito. A gente tem que sair, tem que viajar, trabalhar, enfim, muitos motivos nos levam a não poder estar ali disponível para quando eles querem. Mas aí com um pouquinho de conversa e muito carinho nós e nossa cria conseguimos passar por esses momentos sem grandes traumas. Agora, enquanto estivermos pertinho, mãozinha e mamá, eu deixarei os dois se encontrarem.

As histórias que ouço de mães que foram pelo caminho do desmame natural sempre me emocionam. Desde as que, com onze meses, de repente resolveram que queriam ficar só abraçadas com o peito, mas não mamar. Até as que, com quase três anos, falaram “Tá difícil de sair né mamãe? Acho que não quero mais não, pode guardar”.

Quando eu tiver minha própria história, de quando minha filha resolveu mandar seu leite embora, venho contar para vocês :)

Primeira vez que Ritinha pegou o peito.

Breast is best – Parte 1

Medicina e Ciência

Esse é o primeiro de três textos que pretendo escrever sobre amamentação. Quando os outros estiverem concluídos, coloco os links aqui.

Eu achava quase que dispensável falar sobre esse assunto, afinal (pensava eu), qualquer um que já tenha visto uma propaganda da Globo sabe que amamentação é necessária. Ah, ledo engano. Foi só a Rita nascer para eu começar a descobrir que nem todo mundo parece ter noção do quanto amamentar é importante.

Pasmem: Tem gente que ainda acha que leite industrializado é melhor para a criança. Não importa quantas pesquisas já tenham sido feitas sobre o assunto, não importa quanta coisa pontue que o leite materno é melhor (e não “a mesma coisa” é MELHOR mesmo) ainda tem gente que não entende. E com isso surgem muitas coisas que desencorajam a amamentação, como o mito do “leite fraco” por exemplo. ATENÇÃO BRASIL: NÃO EXISTE LEITE FRACO. O leite tem sempre a mesma composição que é justamente a ideal para o bebê.

Portanto, se você ouvir que “só o seu leite não é o bastante” ou “o seu leite está fraco, precisa complementar”, cai nessa não. Nosso leite é o bastante e é o ideal.

Nunca um leite industrializado poderá se equiparar ao leite materno. Ninguém conseguiu inventar ainda uma fórmula como a nossa. Mas voltando ao assunto: Como ainda tem gente que acredita que leite bom mesmo é NAN, eu vou fornecer aqui algumas informações sobre pontos positivos da amamentação, do ponto de vista do bebê.

  1. Crianças amamentadas no peito precisam começar a comer mais tarde (só a partir do sexto mês), enquanto com outro tipo de leite há a necessidade da alimentação começar mais cedo.
  2. A digestão do leite materno é mais fácil, portanto o intestino do bebê funciona bem melhor.
  3. Os anticorpos que um leite de peito fornecem não há vacina que vença.
  4. Por ser super completo em matéria de minerais e fortalecimento do sistema imunológico, as crianças que mamam no peito adoecem bem menos. Sério, amamentar é evitar diversas idas ao pediatra e gastos na farmácia. As chances do bebê ter infecção de ouvido, problema respiratório ou mesmo pegar um resfriadinho diminuem bastante.
  5. O ato de mamar colabora com o desenvolvimento da mandíbula, arcada dentária e formação dos dentes do bebê.
  6. Não sei exatamente o porque, mas as pesquisas mostram que crianças amamentadas ao seio tem menor chance de desenvolver obesidade e diabetes infantil.

Pronto. Aí estão seis motivos bem básicos, científicos, meramente medicinais que comprovam que amamentação faz bem para o neném.

Para completar tem a questão do vínculo. Que, sim, é muito importante.  A gente vai acompanhando bem de perto – literalmente – o desenvolvimento da criança. A Rita agora entrou na fase de mamar, olhar para mim e sorrir. Tão linda.

A nossa sociedade toma o amor entre mãe e filho como inato, como óbvio e, gente, sinto informá-los, mas ele não é. Esse amor como a gente conhece é uma construção, um laço que precisa ser reforçado todos os dias, desde a vida intrauterina, em cada gesto nosso. A amamentação é parte da consolidação desse afeto, obviamente não é tudo, mas se a gente pode escolher um momento a mais de carinho, para que optar por um a menos?

Até mesmo as mães adotivas podem amamentar. Técnicas de estimulação e a própria sucção do bebê  permitam com que isso aconteça.

E, no começo, sinceramente, dá um medinho. Eu fiquei com o seio muito machucado, por conta de falta de esfoliação na gravidez e tudo o mais, mas é só passar essa fase que fica tudo bem. Como eu li uma vez, é só a gente brincar com as palavras que elas nos dizem o que fazer: peitopeitopeitopeitopeitopeitopei.